quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

E acaba mais um ano Santástico


Saudações alvinegras praianas! O último texto do ano... e que ano! É fim do ano de 2010! Um ano Santástico, aliás, mais um desses 98 anos de história do Peixe.

Lembro que no meu primeiro texto de 2010, falava sobre a felicidade de ver o fim do império de Teixeira, mas ainda sem esperança alguma de um grande ano. Acreditar sempre! Mas é preciso ter no mínimo bom senso, e o bom senso mostrava que este seria um ano de reconstrução. O clube estava afundado em dívidas e a vida não prometia ser nada fácil, aliás, não foi.

LAOR e sua equipe foram competentes. Conseguiram fazer contratações precisas para o time de futebol, técnicos e dirigentes. Conseguiu também renegociar as dívidas e estabeleceu limite para os gastos com o futebol. Sendo assim, mesmo com o Santos conseguindo pagar suas contas, até então não era possível vislumbrar nenhuma contratação de peso. Apostando na base que sempre lança ótimos nomes e na política do bom e barato nos reforços adquiridos, nem o mais otimista dos santistas acreditaria em resultados tão rápidos.

Uma vitória, uma derrota e um empate. Essa foi a seqüência dos primeiros resultados do Peixe no Paulistão, mas para quem entende de bola, dava para ver que estava surgindo um time encantador, de futebol veloz, atrevido, coletivo e goleador. Não demorou muito para o Santos ir para o topo do campeonato e ficar lá até o final da fase classificatória.

Com um time voando baixo, chamando a atenção de todos e um Robinho bastante infeliz na Inglaterra, doido para se preparar melhor para a Copa, o que parecia impossível virou uma sonho realizado. O Rei das Pedaladas estava de volta, em uma curta passagem, mas extremamente marcante. Robinho era a cereja do bolo, a peça que faltava para tornar o time inesquecível.

Campeão Paulista e da Copa do Brasil! Um dos melhores ataques da história recente do futebol brasileiro, top 15 entre os ataques do Santos, mesmo contando com ataques santásticos da década de 60. Repercussão nacional impressionante! Principalmente no primeiro semestre, era impossível falar de futebol sem falar do Santos. Internacionalmente, o Peixe também ganhou muito destaque. E não há o que reclamar.

Claro que ficou um gostinho de quero mais, se o Brasileirão viesse também seria ideal e a impressão é que dava, mas o relaxamento e vários problemas extra-campo impediram a tríplice coroa. Robinho foi embora, não tinha com ser de outra forma. O André, nosso grande 9, também foi. E até o Wesley, que voltou para sua redenção, também pegou caminho da roça, ou melhor, da Europa. O time sentiu muito a ausência deles, ainda perdeu o Ganso por lesão.

O maior problema foi a saída de Dorival. Juro que eu tinha esperança de ele voltar ainda no fim do ano, ele foi ótimo técnico, para mim, hoje é o melhor do Brasil. O Neymar foi extremamente execrado, mas superou. O Santos superou seus problemas e começa a consertar o que teve problemas e montar um bom time para 2011.

O Adilson Batista foi contratado. Não sei se é uma grande tacada, mas é o melhor que tinha no mercado, disso não há dúvidas. Com muito mais tempo para contratar, com uma análise de todo ano de 2010, o novo comandante fez seus pedidos, contratações e dispensas. Talvez, o Santos seja hoje o time mais adiantado nesse sentido.

Breitner, um baita jogador, foi para o Figueirense para ganhar experiência. Madson foi para o nosso recuperador de jogadores, Atlético Paranaense. Marquinhos voltou para o Avaí, o cara realmente não estava muito querendo saber de Santos e desejava voltar a seu time de coração, só acho que ele deveria ter um redução salarial, já que foi por empréstimo para lá e o Peixe bancará 30% de seus vencimentos. Maranhão foi com o Marquinhos, Zézinho foi para o Bahia. Ainda outros meninos da base foram emprestados para times como Santo André para ganhar experiência.

Nas contratações, o Santos vem liderando! Primeiro o maior reforço, por ora, dos times brasileiros, Elano, um baita jogador que será de extrema importância para esse ano que está para nascer. Também vieram Jonathan e Charles, lateral direito e volante. Espero que dessa vez acertemos na lateral direita, que está sofrida nos últimos anos e o volante comporá bem o meio-campo, já que devemos voltar a jogar com quatro no meio na falta de um grande terceiro atacante. Vieram também o goleiro Aranha e o meio Vitor Hugo, mas são jogadores para compor o elenco, até porque não vejo o Rafael sem a 1 hoje.

A baixa agora no fim do ano foi a saída do Jameli. Uma pena. Um baita cara, gosta do Santos, merecia ficar. A diretoria disse que procura um profissional com perfil diferente, parte do elenco também não topava com ele e sua saída era esperada no meio do Brasileirão, como não veio, achei que não sairia mais. Achei que o LAOR estava reconhecendo o bom profissional. Enfim, vida que segue também e agradeço ao Jameli pelo excelente trabalho que possibilitou esse ano Santástico.

2010 foi um ano que deu certo, houve muita competência nas oportunidades que apareceram. Sorte é a união da competência com a oportunidade.Os profissionais do Santos merecem parabéns! Marketing, Futebol, tudo! Principalmente o LAOR.

Espero que se mantenha o pé no chão, o Santos inovou no futebol brasileiro ao segurar Neymar e Ganso, ao trazer Robinho e depois Elano, mas sempre sem fazer loucuras, mantendo os pés no chão. Isso é importante. 2011 promete e estaremos aqui torcendo para que tenhamos mais um ano Santástico!!! Vai, Santos!!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Reverenciar a história sim, babaquice não!


Os ouriçados invejosos do reconhecimento dos brasileiros anteriores a 71 continuam com seu chororô interminável, com argumentos estapafúrdios, em que esquecem de pensar na história do futebol e partem para a agressão gratuita, para a ridicularização de idéias. Ou seja, não há espaço para debates, só há espaço para agressões e muita falta de informação.

Isso posto, agora eu quero criticar o querido Presidente Santista, o nosso LAOR. Caríssimo, o título de 1.968 se trata de um Recopa Mundial, é um título de caráter mundial, mas não era a principal competição mundial. É como o Santos hoje, é octa brasileiro e possui nove títulos nacionais, pois foi campeão da Copa do Brasil. O Santos possui três títulos de nível mundial, mas campeonatos mundias mesmo apenas dois. E ponto!

Não me venha com essa balela de pleitear o campeonato de 68 para colocar uma terceira estrela no peito! Isso é ridículo e o Santos não precisa disso. A terceira estrela que queremos colocar no peito tem que ser fruto de uma conquista futura, e nós da torcida esperamos que seja já neste 2.011 que está para nascer.

Lembro-me bem que o senhor presidente foi extremamente crítico ao Marcelo Teixeira por essa idéia estapafúrdia.

Então, venho aqui reforçar a idéia de que precisamos reverenciar a história, precisamos preservá-la, mas digo já que de jeito maneira podemos manchá-la com babaquices oportunistas.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Unificado


Para terror dos recalcados, o martelo foi batido, os títulos foram unificados!

Mais uma vez venho dizer, infelizmente a discussão foi mal conduzida. E só veio agora, pois é muito oportuno à CBF e ao Ricardo Teixeira que essa discussão ocorra agora, acoberta seus erros, alfineta adversários políticos. Só por isso a CBF desenterrou um pedido feito há tanto tempo, que foi reforçado no ano passado, mas a decisão só veio agora, pois só agora a ela interessa.

Só que boa parte dos críticos está na ala dos recalcados. Sim! Eu não vou fechar os olhos para a decisão política, para a grande manobra, mas também não vou alisar opiniões totalmente carregadas da inveja de quem não foi consultado.

A nação santista sempre conheceu sua própria história, sabe que é octa-campeã brasileiro desde 2004. Sabe que em 2010 conquistou seu nono título nacional. A diretoria sempre fez essa conta, independentemente da chancela de qualquer instituição. O Santos sempre terá dois títulos de um torneio chamado Copa Intercontinental, nem por isso deixará um dia de ser chamado de bi-Mundial! E se vencer daqui para frente o torneio, agora organizado pela FIFA e chamado de Campeonato Mundial de Clubes, será tri, tetra e por assim em diante.

Os títulos já foram comemorados a época, hoje apenas é um reconhecimento, uma homenagem aos antigos ídolos. Reverenciar o passado é uma questão de inteligência, preservar a história também, isso só é útil quando orienta o presente e para alimentar a esperança de um futuro tão glorioso quanto. O reconhecimento agora não engrandece, nem diminui os títulos, os times, os jogadores, a história. É só respeito à história.

E parabéns a todos aqueles times! A todos gênios da época! E um principal ao Rei! Que merece ser mais homenageado e reverenciado do que é hoje no Brasil. Vida longa ao Rei!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Campeões Brasileiros

Saudações alvinegras praianas!

Se tem um assunto que dominou a pauta nos últimos dias e já está chateando, é esse sobre o reconhecimento pela CBF dos campeonatos brasileiros anteriores a 71. Acho que o assunto é extremamente interessante e seria ótimo para render ótimos papos sobre história, craques, mas a forma como parte da imprensa está tratando o assunto é ofensiva, chama de idiota quem tem opinião divergente a dela e faz com que a gente até perca o tesão de falar sobre o assunto. Aliás, só por conta disso ainda não tinha escrito um texto.

Na sexta, li um colunista da Globo que diz literalmente não ser possível levar a sério alguém que conhece a história do futebol e considera a hipótese de reconhecer os campeões brasileiros antes de 1.971. Ou seja, chamou todos de otário! E não foi só ele. Os comentários dos integrantes do programa de rádio Estádio 97 também foram jocosos, mesmo reconhecendo que desconhecem a história. O próprio Lance! também bate fortemente na história e quase não dá voz a quem pensa o contrário.

Uma discussão como esta tem que se dar longe do clubismo, longe de paixão e tentando resgatar a história mesmo. Duvido que muitos desses que criticam a reivindicação pararam um segundo se quer para lerem os textos de Odir Cunha, jornalista responsável por boa parte desta pesquisa. Eu inclusive publiquei no ano passado um aglomeradão juntando vários textos dele sobre o assunto. E digo que não concordo com o ponto de vista dele sobre a história em muitos momentos, mas uma coisa está clara, não é possível virar as costas para os campeões do passado. Torneios nacionais não começaram em 71 e é isso que precisa ficar claro.

(O Lance!, no domingo publicou uma matéria onde diz ter em mãos o Dossiê que foi para a CBF em 2009, mas não o publica na íntegra. Apenas tira partes que o interessa criticar, é uma pena que ainda se faça esse tipo de jornalismo no Brasil. Mas fico pensando, será que há outro tipo de jornalismo no Brasil?)

O que vou escrever aqui não é para ser dono da verdade, mas gostaria de levantar questões importantes que ajudassem, pelo menos, às pessoas se abrirem para o debate e não viverem de definições absolutas e imutáveis.

Trajetória

Primeiro, acho importante pensar por que raios a CBF nunca quis olhar para esses títulos. A partir de 71, um novo formato de campeonato brasileiro foi desenhado, mas que só foi possível graças a torneios anteriores a este, torneios que mostraram a necessidade e até o gosto do torcedor em saber quem é o maioral do Brasil. Se pensarmos nos primeiros torneios nacionais, de 59 a 70, veremos que o Rio de Janeiro possui pouquíssimos títulos e a hegemonia paulista é evidente. Por aí começamos a entender porque a Confederação, que é carioca da gema, resolveu ignorar primeiramente o passado.

Em 71, tivemos o primeiro campeão do que hoje chamamos de Campeonato Brasileiro. Não foi a primeira competição nacional administrada pela CBD (atual CBF), mas foi o primeiro torneio de uma era de disputa regular de nacionais com muitas equipes criado pela entidade. Bem no início da década de 80, a CBD deixa de existir e surge a CBF, que resolve simplesmente ignorar tudo aqui que havia existido antes desse torneio regular.

Por que ignorar como títulos nacionais a serem contabilizados todas as Taças Brasil, se este foi um torneio já organizado pela CDB? Eu aqui não vou ainda falar em equiparar a Brasileiros, mas a questão é que para a CBF esses títulos não existem simplesmente e a Taça Brasil existia sob tutela da CBD. Isso faz algum sentido?

O Robertão virou este superlativo, pois ele era um Rio-São Paulo 'inchado'. O Rio-São Paulo se chamava Roberto Gomes Pedrosa e, em 1.967, vendo que só a rivalidade entre os dois estados era pouco, uma vez comprovado o sucesso de um torneio nacional pela Taça Brasil e que seria interessante tornar o campeonato mais competitivo, foram convidados outros grandes times do país, os grandes campeões em seus estados. Eis que surge o Robertão, uma competição de caráter nacional. Fez tanto sucesso em suas duas primeiras edições, que em 69 a CBD começou a organizar a competição, que até então era regida pelas Federações do Rio e de São Paulo. Neste mesmo ano de 1.969, a entidade extingue a Taça Brasil.

De tão certo que deu, a CBD em 1971 resolve tirar o nome Roberto Gomes Pedrosa e criar o primeiro Campeonato Nacional, vencido pelo Atlético-MG e que estabelece uma nova era regular de competições nacionais. Se a CBF quisesse dar maior destaque a essa nova era, era uma coisa, mas ignorar o que a própria CBD já tinha feito é no mínimo estranho.

O caso da FPF

A Federação Paulista de Futebol (FPF) existe a partir de 1.941. Antes, diversas instituições da bola e do desporto paulista é que comandavam os campeonatos paulistas. Eu não sei se em sua criação ou alguns anos para frente, a FPF homologou e declarou Campeões Paulistas todos aqueles que venceram os torneios realizados anteriores a 41.

Só para ter uma idéia do que isso significa, hoje o Corinthians, maior vencedor do torneio com 26 troféus, teria subtraído de sua conta 11 títulos e ficaria em segundo lugar junto com o Santos, que hoje possui 18 títulos e apenas um desses foi anterior a 41. O São Paulo ficaria em primeiro lugar, hoje ele tem 21, mas ficaria com 20, pois também só tem um título no período a ser descartado. E é bom lembrar que esse único título foi em 1.931, quatro anos antes da data oficial de fundação do clube. Esse título foi conquistado pelo São Paulo da Floresta, time que se fundiu com o Clube de Regatas Tietê para criar o São Paulo, em 1.935. Ainda sim, a FPF considera esse título de 31 como sendo do São Paulo. O Palmeiras cairia para a quarta posição, hoje é o segundo com 21 títulos, mas ficaria apenas com 13.

Outra particularidade do período é que a Federação Paulista reconhece dois campeões em um mesmo ano, fato que hoje é abominado pelos atuais críticos à equiparação do títulos nacionais. Em 1.935, veio o primeiro título Paulista do Santos, em outra liga paralela, a Portuguesa também se sagrava campeã. O Corinthians possui 4 títulos nessa situação, o Palmeiras 3. Mesmo assim, nunca vi ninguém achar absurdo essa fato. Estranho também!

Em 67 e 68, o Robertão foi disputado paralelamente à Taça Brasil. O primeiro coordenado em conjunto pelas Federações de Rio e São Paulo, o segundo pela CBD. No primeiro ano, o Palmeiras levou as duas taças e, no segundo, o Peixe ficou com o Robertão e o Botafogo conquistou a Taça Brasil. Como já dito acima, o Robertão tinha feito muito sucesso, por isso a CBD acabou com a Taça e começou a comandar apenas esse campeonato.

Critérios, nomes, divisões, fórmulas

Um argumento que pretende ser avassalador contra o reconhecimento desses títulos está na questão do nome. Mas quantos nomes já tiveram o atual Brasileirão? Em 71 mesmo, chamava-se Campeonato Nacional, também já teve outros nomes como Taça de Prata, Copa Brasil, Copa União e, mais recentemente, tivemos a Copa João Havelange. A CBF homologa quase todos os casos, mais para frente falarei de 1.987. Mas o que quero chamar a atenção aqui é que esse argumento é tão frágil quanto a soberba de quem despreza a inteligência alheia com bobagens assim.

Os critérios para participação dos campeonatos de 59 a 71 também são bastante questionados. O ataque à Taça Brasil é dizer que o campeonato não era abrangente. A Taça Brasil foi o primeiro grande torneio regular de caráter nacional - em 1.920 e 1.937, dois torneios de caráter nacional foram disputados, mas não foram para frente. Eu não sei se muito jornalistas lembram, mas o Brasil é um país de tamanho continental e que fazer viagens longas antigamente era muito difícil e caro.

Lembrando dessa 'pequena' variável, não dá para pedir que um campeonato nacional de turno e returno, como é Brasileirão de hoje e era o Paulista da época, fosse disputado. Seria extremamente caro e sem garantia de retorno. É só lembrar também que o Santos de 60 abriu mão da Libertadores depois de 63, pois era muito oneroso apesar do status oferecido ao campeão.

A partir do momento em que o investimento aumentou a fim de gerar um torneio nacional mais amplo, claro que o campeonato ganhou nova cara, mas falar que o passado não valeu é no mínimo má vontade. A Taça Brasil era disputada em mata-mata pelos campeões estaduais. Os representantes Rio e São Paulo, os estaduais mais fortes, só entravam nas semi-finais, da mesma formas que os campeões sulamericano e europeu só entram nas semis do Mundial. É o um prêmio por disputarem ligas mais difíceis.

É bom lembrar que o sistema de mata-mata, além de ser mais barato, também facilitava o imponderável do futebol. O Santos da década de 60 fez com que a Federação Paulista alterasse o sistema de pontos corridos do Paulistão para um que houvesse final. Aquele time mágico, mesmo quando perdia algum clássico, sobrava muito no certame e era campeão muitas vezes faltando várias rodada para fim do campeonato. Pensando assim, esse sistema era o melhor para os times mais fracos desafiarem os grandes da época.

O Robertão já funcionava de modo muito semelhante a campeonatos brasileiros até 2.002, uma primeira fase em pontos corridos e uma segunda com quadrangular. Organizado primeiramente pelas Federações de Rio e São Paulo, o torneio contou com convidados, os grandes times de Minas e Rio Grande do Sul, depois times de outros estados também foram convidados e a organização passou a ser a cargo da CBD.

O critério convite irrita muito aos críticos da equiparação, pois para eles não é um critério justo. É bom lembrar que os campeonatos brasileiros iniciais funcionavam a base de convite também. Os times eram convidados pela CBD, as pessoas às vezes se esquecem da política da ditadura "onde a ARENA vai mal, um time no nacional". Aliás, a intervenção da ditadura pode explicar muita coisa também, uma vez que ela queria instituir uma unidade nacional. Um torneio novo e nacional era uma grande forma de apagar os horrores dessa época, uma política de pão e circo.

A classificação para o nacional também era por colocação no campeonato estadual. O Santos nunca foi rebaixado em brasileirões, mas nas vacas magras, já teve que disputar um módulo inferior, aliás, em 1.979 o time abriu mão de jogar a liga nacional por conta disso. Não era uma segunda divisão, mas tinha que enfrentar times muito inferiores, mesmo assim, o melhor deste módulo tinha participação assegurada na fase final do módulo principal.

Outra 'boa' questão levantada pelos críticos era o formato e ligando isso ao nome, dizer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Falam que copa não é campeonato, que campeonato tem rebaixamento e que Copa é só mata-mata. Pois é, quer dizer que a Copa do Mundo é só mata-mata? E por que então nomes como Copa Brasil, Copa João Havelange, Taça de Prata também foram nomes do Brasileirão? Por que não só campeonatos?

Isso é uma balela semântica sem tamanho! O que se pleiteia não é chamar a Taça Brasil de Campeonato Brasileiro. Isso é uma bobagem. O que não se pode impedir é que os campeões anteriores sejam chamados de Campeões Brasileiros. Ou será que não se pode chamar de Campeão Mundial o vencedor da Copa do Mundo porque ela é uma copa? O São Paulo é tri-mundial ou bi-intercontinental e campeão mundial, só porque quem administra agora é outra entidade e mudou a fórmula? Grandes bobagens!

Ainda tem a questão do rebaixamento. E tem gente que viveu isso e não se lembra! Rebaixamento só começa no Campeonato Brasileiro em 1.988 e vai até 1.992, quando começa uma série de viradas de mesa. A bagunça é tanta que a CBF se considera incompetente para elaborar o nacional de 2.000 e pede para que o clube do 13 elabore o certame.

A Copa João Havelange foi o maior nacional disputado, 106 clubes em 4 módulos, não havia rebaixamento, não haviam divisões. Mesmo assim e com toda bagunça que aconteceu na final, não há dúvidas ao dizer que o Vasco foi o campeão nacional daquele ano. Só a partir de 2.001, com a volta da CBF ao comando do campeonato, é que findaram as viradas de mesa e o torneio se estabilizou. Até então, a FIFA fazia duras críticas ao Brasileirão, que não possuía divisões, onde o sistema de contagem de pontos era confuso. A entidade máxima do esporte bretão chegou inclusive a ameaçar o Brasil de ficar fora de Copas enquanto reinasse essa zona, ameaça nunca concretizada, pois a seleção canarinho é a que rende mais dividendos nessa competição.

87 e outras taças

Meu respeito ao Sport, mas o grande campeão brasileiro de 1.987 é o Flamengo. Assim como em 2.000, a CBF já tinha se mostrado incompetente para gerir a competição nacional e o clube dos 13 foi quem salvou o nacional nesta época também. Durante o certame, a CBF deu uma canetada e 'criou' um novo brasileiro, onde o campeão seria apontado do vencedor de quadrangular entre o Campeão e Vice do Módulo Verde, organizado pelo clube dos 13, e Campeão e Vice do Módulo Amarelo, organizado pela CBF e que se tornaria no ano seguinte a segunda divisão.

A proposta foi considerada absurda pelos clubes que disputavam a Copa União, chamada de Módulo Verde pela CBF, e estes entraram em acordo de que não jogariam tal quadrangular e o campeão nacional sairia deste campeonato mesmo. A CBF não quis saber do protesto dos clubes, considerou uma afronta o que Inter (que foi vice da Copa União) e Flamengo fizeram e declarou o Sport campeão com o Guarani como vice, respectivamente primeiro e segundo lugares do Módulo Amarelo.

O que a CBF fez foi grotesco e mandou o time de Pernambuco para a Libertadores junto com o Guarani. Pela imprensa não há quem não aponte o Mengo como grande campeão, mas usar a desculpa que a CBF não resolveu essa pendenga de 87 para não poder ser discutido o passado é só para querer causar. São coisas que se relacionam, mas independem.

Assim como não é possível que se queira levar a Copa do Brasil a um status diferente depois das equiparações. A Copa do Brasil já surgiu como uma competição de nível inferior ao Brasileirão. E outro absurdo é clube dizer que vai reivindicar o Torneio do Povo como campeonato nacional, onde o critério para participar era ter uma torcida grande. Um torneio que levava o nome de um presidente ditador brasileiro, General Emílio Garrastazu Médici, e que foi simplesmente mais uma tacada da política de pão e circo daquele tempo, um torneio para festa.

Portugal e Argentina

O Lance! trouxe dias desses uma matéria que falava que só a partir da década de 30, com a profissionalização do futebol, é que o Argentina e Portugal começaram a contar seus campeões nacionais.

É bom lembrar que o Brasil já tinha seu futebol profissional nessa época, mas que organizar nacionais era extremamente difícil, pelo tamanho de nosso país. Querer fazer esse tipo de comparação, que o jornal fez, é zombar de nossa inteligência. Países menores que muitos estados do Brasil não podem servir de comparação nesse caso.

Por fim

Lamento muito o nível de paixão e cegueira que essa discussão chegou. A paixão é legal no futebol, mas por vezes leva à chegueira e muitos, às vezes, começam a defender um ponto de vista só por se sentir ofendido pelo outro lado. O Juca mesmo cometeu uma burrice tremenda ao criticar o Odir Cunha se baseando em um trecho pinçado pelo Lance!. Como pode alguém tão vivido na imprensa cair nesse tipo de situação, só por que em algum momento poderia ter sido questionado seu trabalho, Sr. Juca? Lamentável!

Lamento também que essa discussão esteja sendo feita agora, que a CBF esteja usando isso para esconder todos os problemas que estão ocorrendo em relação a Copa de 14, para esconder as denúncias contra seu presidente, o canalha do Ricardo Teixeira. O RT, aliás, usa também esse dossiê para de certa forma alfinetar Flamengo e São Paulo, suas desavenças recentes e declaradas. Os dois times possuem o status de maiores campeões nacionais e seriam desbancados com o reconhecimento dos títulos.

Uma coisa que deve ficar clara é que o Santos e o torcedor santista sabe que é vencedor nacional por nove vezes e colocou isso em seu site, em camisas, faixas e sem ficar pedindo autorização para a CBF. O Fluminense acabou de pintar que é Tri-Campeão Brasileiro nas Laranjeiras. O Palmeiras é considerado campeão do século e coloca em sua conta essas conquistas de 59 a 70.

O que quero dizer é o sentimento que já existe e jamais importará a chancela da CBF, da FIFA ou de quem quer que seja. Posso falar na condição de Santista, sempre considerei o Santos octa, dane-se a CBF. Reconhecer os títulos é respeito à história, mas é mais benéfico à CBF que ao próprio Santos que já conhece a sua própria história. A CBF é que se beneficiará de poder colocar em suas estatística de campeonatos reconhecidos por ela títulos de Pelé, Tostão, Garrincha, entre outros gênios que jogaram a década de ouro do futebol! Essa é a grande questão, a CBF hoje ignora as estatísticas de campeonatos nacionais da melhor fase do futebol, de uma época mágica, de um tempo de jogadores lendários e que divulgaram o futebol para ser o que ele é hoje.

Eu nem gosto do termo unificar, pois parece que é querer que esses torneios comecem a se chamar agora Campeonato Brasileiro. Não é isso! O que se discute é o fato de não haver reconhecimento oficial a esses títulos de times que ganharam na bola, com técnica, com lances geniais, com grandes públicos. E isso tudo está registrado, o reconhecimento da CBF não fará maior, nem menor essas conquistas ou esses clubes, apenas fará justiça à história. Senão, se não reconhecer, azar da CBF também.

Esses times não foram campeões de campeonatos brasileiros naquela época, pois esse, com esse nome ainda nem existia. Mas jamais poderá ser questionado o fato de que eles foram, sim, os grandes Campeões Brasileiros e que ninguém duvide disso.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Carta ao ex-presidente Marcelo Teixeira*

*Em resposta ao seu texto Nada como um dia após o outro.

Caro presidente, talvez você tenha visto agora que é possível fazer bons negócios sem onerar o clube, entendo sua revolta. É difícil vir outra pessoa fazer melhor aquilo que fizemos por tanto tempo. Mas não se corroa de inveja.

A Teisa, hoje criticada, foi muito elogiada pela mídia. Incrível! Mas é porque na época não entenderam que o Santos se blindaria contra o mercado. Só pessoas interessadas no Santos, apenas torcedores poderão investir. Aliás, o senhor que é tão rico, bem que poderia comprar fatias da Teisa, ela é aberta a pessoas que amam o Santos e tem como contribuir com ele.

Mas lembre-se: do valor total que render o seu investimento, você deverá deixar 75% na própria empresa que reivestirá em nosso querido Santos. Será que o senhor topa esse negócio?

É bom lembrar que a DIS poderia ter comprado essa parte do Neymar. Se o negócio é tão fabuloso como o senhor ventila, porque o Delcir deu para trás? Não era dinheiro certo? Ora! Não sejamos hipócritas!

O que não dá é um grupo pagar uma mixaria por cerca de 30% de 7 jogadores. O valor pago por todos os 7 não dá o pago pelo Neymar. Mas como o senhor cada hora fala em um número pago pela DIS, daqui a pouco dirá que foram pagos 20 milhões de reais. Sei que a justiça determinou um valor muito menor que o senhor divulga para o Santos retomar esses percentuais dos atletas.

Entendo, sua frustração, mas por favor, não deixemos esse levianismo extravasar a esferas maiores. A torcida do Santos não é boba e já ataca firmemente as infudamentas 'descobertas' do Perrone. Que bebe na fonte do Quintino e acressenta algumas mentiras.

Bom fosse se o senhor desse mais créditos aos santistas que realmente nos informam sobre o Santos, mas isso o senhor não fez como presidente, duvido que faça agora.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A volta do 'melhor' bom jogador


Saudações alvinegras praianas!

É, meus amigos, Elano está de volta! E é o primeiro grande reforço para 2011, ano em que o Peixe vai para conquistar tudo e não me venham com essa de só Libertadores. E para mim, essa foi a contratação do 'melhor' bom jogador do futebol brasileiro dos últimos anos e me explico.

O Curinga da Vila nunca foi nenhum craque, mas é muito bom! Além de bom, é importantíssimo taticamente, não joga para torcida, mas faz funcionar o meio-campo do time. Ele não tem mais o fôlego que teve o Wesley no 1º semestre de 2010, mas com certeza terá passes muito melhores que este e ainda será uma belíssima opção em bolas paradas e em chutes de longa distância.

O Elano foi o coração da seleção brasileira na Era Dunga. Ele é que possibilitava lançamentos de contra-ataques, batia as melhores faltas, escanteios, cruzava da direita, já que Daniel Alves e Maicon não conseguem alçar uma bola sequer na área. Quando ele se machucou, a seleção ficou perdida taticamente. É nítido o pior desempenho da seleção quando o Curinga ficava de fora.

Nosso querido Elano não é nenhum gênio, mas é muito, mas muito bom jogador! E entre os bons jogadores é o melhor, é ótimo, o mais regular e um baita profissional. Acho acertadíssima a contratação dele, mas ainda espero que a diretoria explique como pagará os 2,9 milhões de euros aos turcos e o salário de 500 mil reais mensais ao atleta. Até porque o ridículo balanço apresentado ontem não parece dar margem para tais gastos.

Enfim, apesar de querer explicações, só posso dizer que estou muito feliz com a volta do Curinga e que estarei domingão na Vila para recepcioná-lo. Sei que não dá mais para rebaixar o 'profexô' e o Flamengo, mas ir dar boas vindas ao bom filho que a casa torna é obrigação da nação santista. Vamos lotar! E bem que a diretoria poderia fazer umas promoções, hein?!

Vai, Santos!!!