segunda-feira, 12 de julho de 2010

Acabou a Copa

Saudações a todos!

Infelizmente não consegui cumprir a intenção de escrever sobre as rodadas da Copa. Devido a muita correria, declarações, fechamentos, tudo ficou complicado. Mas eu consegui acompanhar todas rodas através do rádio, ainda o mais eficaz meio de comunicação.

E a bola rolou em solo africano e com ela rolaram despenhadeiro a baixo muitos recordes, muitos “nuncas” e muitos mitos sobre a capacidade do continente em receber o maior evento do mundo. E vamos começar a falar destes mitos, que teve auge na primeira rodada, no jogo entre Estados Unidos e Inglaterra. Os dois países que travariam um jogo bem mequetrefe, se uniram na questão da segurança, fazendo esquemas de bloqueio que nem para o Bush entrando no Afeganistão haveria. Uma verdadeira piada de mal gosto que questionava o poder da autoridade local em combater a violência. E tudo isso para nada, pois durante este um mês apenas ocorrências corriqueiras de qualquer cidade grande foram registradas.

Muito se falou dos estádios, e o que vimos foram verdadeira jóias cravadas em solo africano. Cada estádio mais bonito que o outro, cada estádio mais confortável que o outro, tinha estádio com água quente nos banheiro, uma realidade que está longe dos estádios tupiniquins e uma realidade tão boa quanto (e podemos dizer que em alguns pontos até melhor) do que estádios do velho continente. Nesse sentido, acho que o Brasil passará uma vergonha tremenda, pois algo como o Soccer City ou o Green Point são inimagináveis por aqui. E não há quem possa contra-argumentar isso, já que a principal cidade do país está sem estádio até agora, sendo o principal candidato a vaga o vergonhoso Morumbi.

Alguns vão falar que os gramados estavam em péssimas condições, e isso é verdade. Mas nenhum gramado resiste a um tempo tão seco e tantos jogos como acontecem em uma Copa. Os gramados da Europa em tempo de Copa contam com o tempo muito favorável, é verão lá. Na África do Sul, tal qual o Brasil, é inverno e a falta de chuvas atrapalha uma melhor recuperação da grama.

Em termos de organização, a África do Sul não ficou devendo nada a Copas anteriores. As festas de abertura e encerramento, talvez tenham sido longas demais para nós, mas foram totalmente dentro das tradições daquelas pessoas que trabalharam e esperaram por esse momento único. Parabéns ao povo africano, parabéns especial ao Mandela! Grande estadista. Ontem, quem foi embora do campo depois da passagem deste grande homem, já tinha história suficiente para contar até aos bisnetos e nem precisaria ficar para ver a dramática decisão do título mundial.

Falando da bola rolando, tivemos a segunda Copa com pior média de gols, 2,26. Para este blogueiro, está sim foi a grande decepção da Copa. Eu apostava alto em jogos com muitos gols, times que jogariam mais para frente, que chutassem mais a longa distância, a Jabulani estava dando mó boi e pouco souberam aproveitar a boa oportunidade que essas bolas modernas dá aos atacantes e desfavorece fortemente aos goleiros. A média de gols só foi menos sofrível que a da Copa da Itália, 2,21.

Para ter uma idéia, a boa seleção da Espanha, que joga atacando, uma das seleções que mais finalizou a gol, a seleção campeã com toda honra e mérito, não fez mais que míseros 8 gols em 7 jogos. Quase apenas um por partida, uma mixaria indecente, principalmente quando vemos um time como o do Santos fazendo mais de 100 gols em menos de seis meses. =D


Mas a campeã Espanha, apesar de ter feito poucos gols e ter tomados muito poucos, deixou para trás o mito que o jogo bonito, de toque de bola, não pode ser campeão e bem campeão, eu diria. A Espanha quebrou vários tabus, primeiro os seus próprios: a Fúria nunca tinha disputado uma final, e claro, nunca tinha sido campeã. Depois, fez uma final mais que inédita (lembrando que desde 78 não havia uma final sem um campeão mundial), deu o primeiro título de Copa do Mundo à Europa em um torneio jogado fora do Velho Continente.

Nunca antes na história desse esporte, tivemos uma final tão violenta! Ontem, sem pensar que a Holanda eliminou o Brasil, e na atual conjuntura isso seria mais motivo para eu torcer a favor do que contra, torci para a Espanha e torci mais quando vi o quão “FelipeMelado” é este time holandês, bate demais e contou com a bundamolência do árbitro inglês, que não teve culhões para apitar corretamente e expulsar o De Jong antes do término do tempo regulamentar, fora outros cartões que ele deixou passar batido. Ainda sim, 13 amarelos e 1 vermelho. O recorde de cartões não se restringe apenas a decisões, mas a todo jogos de Copas. O recorde anterior, coincidentemente, a outro jogo em que a Holanda perdeu, contra Portugal, na Copa de 2006. E se eu não me engano, foi uma das últimas derrotas do time Laranja neste últimos 4 anos, se não foi o último mesmo, só que agora eu estou sem tempo de pesquisar. Mas deve ser isso mesmo.

Essa Copa também teve o recorde da Suíça como time a ficar mais tempo sem tomar gols, quase 7 jogos. Também tivemos outro recorde, se dá para pensar isso como recorde, mas nunca antes na história das Copas anfitrião e atuais vice e campeão ficaram foram logo na primeira fase. A França não era surpresa ficar fora, mas a Itália, mais por conta da fragilidade do grupo, deu vexame ficando fora tão cedo, apesar que eu não apostava que ela passasse das oitavas.

Também tivemos algo incomum na escolha do melhor da Copa. A Bola de Ouro ficou com Diego Fórlan do Uruguai. Eu discordo radicalmente, mesmo reconheço como um dos grandes nomes. Mas acho que tudo ficou mais no campo da simpatia do que da técnica mesmo. Só o Müller e Özil joram muito mais, aliás é impressionante como sempre tem um Müller bom no time Alemão. Acho que esse sobrenome é tipo Oliveira aqui no Brasil. Achei que foi um simpatia, tipo o Uruguai agora é uma Portuguesa. No mínimo, uma falta de respeito com um bicampeão e jamais eu simpatizaria com aquele time que causou o marcanaço.

E falando em Alemanha, ela e a Espanha mostraram que o negócio é ter times com base nos times locais. A Espanha é um combinado de Barça e Real, com força maior para o Barça. A Alemanha podemos dizer que é a seleção dos melhores jogadores do campeonato deste país. Para mim, as duas melhores seleção da Copa e que devem estar ainda melhores para 2014, te cuida Brasil!

Mas essa questão da base de jogadores atuando no próprio país deve fazer com que as ligas da França e Itália principalmente, repensem a questão dos jogadores comunitários e extracomunitários atuando a torto e a direito em suas terras. O intercâmbio no futebol é bom, mas se feito de forma incorreto pode acabar com a possibilidade de surgirem novos talentos. Pensemos, quem é a grande revelação italiana? Um jogador novo e bom de bola? Um novo Del Piero, Baggio? Eu não conheço!

Agora grande estrela que surgiu, matou a pau e deixou todo mundo com cara de bobo foi o tal do Polvo Paul! O único 100% nesta Copa, acertou tudo o molusco e já deixou claro que os dias de vidência ficaram para trás. Tal qual o Rei Pelé, vai parar por cima.


Apesar da minha decepção com a questão dos gols, gostei muito da Copa. A segunda foi bem mais triste que habitualmente é, o fim da Copa gera um vácuo. Claro que logo vem o Brasileirão, e por aqui também teremos eleições, ou seja, teremos agitação o suficiente. Mas o maior evento do mundo tem um charme, um clima especial e por isso faz muito falta quando ele acaba. Agora é esperar por 2014 e torcer para que não passarmos uma grande vergonha! (dentro e fora de campo)

PS.: Nem vou aqui ficar batendo no morto do time do Brasil e no Dunga. Enfim... Eu já tinha dito aqui antes o que achava. Claro que torci, mas não foi surpresa o que aconteceu. E como previsto também, Júlio César voltou aos seus bons tempos de Flamengo. Mas só queria registrar que em 2010 e 2006 o mesmo erro foi cometido, o de fechar com um grupo, com alguns jogadores como absolutos e isso faz com que os jogadores não cheguem no seu melhor na Copa, pois ele tem certeza que estará lá. E pelo discurso do Ricardo Teixeira, temos tudo para repetir o insucesso em 2014, pois ele pretende que o próximo treinador já forme um grupo. Espero que as coisas não saiam como previsto, e que não tenhamos nem a zona de 2006, nem as mentiras, com reclusão e má educação de 2010.

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